Contra o vírus da ganância

Núcleo de Direito à Cidade do PSOL Feira de Santana

Passamos por um momento de crise sanitária que exige do poder público, em todas as suas esferas, além da adoção de medidas técnicas de contenção do contágio por Covid-19, sensibilidade humana para pensar políticas que garantam a sobrevivência das pessoas, agora e no futuro posterior ao término da quarentena.

No último dia 27 de março, o prefeito Colbert teve uma reunião apenas com empresários para discutir a reabertura do comércio local, após o prazo inicial de fechamento até o dia 29 de março. Coincidência ou não, a data é a mesma para a qual está marcada a remoção forçada de feirantes, camelôs e ambulantes do centro da cidade, em nome de uma limpeza étnica exigida há muito pelo vírus da ganância das elites locais.

Poucos setores são tão vulneráveis aos efeitos da pandemia como o dos trabalhadores e das trabalhadoras do comércio informal, que já labutavam com a incerteza da obtenção ou não do sustento diário antes do surgimento da Covid-19, e agora se vêm na ameaça de, mesmo passada a pandemia, não poderem retomar suas vidas e correr atrás dos prejuízos deixados.

Se aproveitando do momento marcado pelas atitudes genocidas do presidente Bolsonaro, o prefeito tenta se passar por defensor da vida, mas nós do PSOL não esquecemos que a construção do Shopping do Elias, como pretexto para expulsão do comércio de rua feirense a partir do projeto de “Requalificação do Centro”, visa apenas o lucro de poucos em detrimento da vida de muitos.

São mais de 8 mil pessoas cujas vidas dependem do comércio de rua. O PSOL, a partir do seu Núcleo de Direito à Cidade, se soma à luta de feirantes, camelôs e ambulantes para exigir a suspensão imediata do despejo, e que sejam garantidas as medidas de proteção necessárias enquanto as pessoas não podem retornar às suas atividades. E que se for para o prefeito lavar as mãos, que não seja com a vida e o futuro de quem vive do trabalho.

28 de março de 2020

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