É seguro retomar as aulas presenciais? O que garante às nossas vidas nesse momento?

Núcleo de Educação do PSOL Feira de Santana

De maneira autoritária, imprudente e covarde foi anunciado o retorno das aulas presenciais por meio do ensino híbrido – alternância entre presencial e remoto, sem nenhum diálogo com a comunidade escolar nem esclarecimento acerca das justificativas e critérios científicos utilizados para a retomada das aulas.

Embora os governos queiram fazer parecer, a pandemia infelizmente ainda não acabou. Os profissionais de educação não finalizaram o cronograma de vacinação, não existe previsão de vacinação da população abaixo de 18 anos, a pandemia não está sob controle (dados encontrado no portal geocovid UEFS mostram a Bahia com média diária de 2.131 casos no dia 19 de julho), e as escolas não estão preparadas estruturalmente para um retorno presencial.

Tanto o governo Estadual quanto a Prefeitura de Feira utilizam do seu poder e dos meios midiáticos para tentar convencer a população de que é seguro e melhor o retorno presencial ao espaço escolar. Querem voltar na marra, com ameaças e chantagem! O governador bradou que cortaria salários dos profissionais da educação e ameaçou estudantes e suas famílias de suspensão de benefícios sociais para os alunos de baixa renda.

Aderem a um negacionismo tacanho, haja vista nossas escolas serem as mesmas de antes da pandemia, sem ventilação adequada nas salas de aula, muitas unidades sem área externa de circulação, a constante falta de água, ausência de recursos humanos para aplicação dos protocolos. Omissão para ofertar proteção individual eficiente com distribuição de máscaras com eficácia de filtração comprovada que dêem maior segurança para estudantes e professores. Além desses fatores, a falta de uma política de testagem em massa revela dados que não são reais sobre a pandemia.

A imunização incompleta dos trabalhadores da educação e a falta de previsão para que a vacina chegue aos estudantes é uma situação preocupante, considerando-se que a cobertura vacinal para obtenção de imunidade coletiva é preconizada em torno de 80/90% da população, dentre outros fatores. Não basta apenas álcool e pias para conter a proliferação do vírus.

Junto ao negacionismo cientifico soma-se o histórico de descaso com a educação e a Escola Pública. Se antes muitas instituições já tinham um ambiente insalubre imaginem agora com um vírus que pode ser letal. Nem na pandemia, em ambas as esferas, os governos se empenharam em ofertar ensino remoto emergencial com o mínimo de dignidade. Não foi investido nenhum centavo em políticas de inclusão digital para profissionais e estudantes. O que só reforçou a exclusão de crianças, adolescentes e jovens do direito a educação.

Nesse momento a escola não é um lugar seguro para estudantes e quem nela trabalha! A Educação Pública como um direito social de todos/as e dever do estado tem que garantir a vida das crianças, adolescentes e jovens acima de tudo e não colocá-los em risco. Para poder aprender é preciso estar vivo/a e saudável. Inadmissível voltar por medo da coação dos governos e também é inconciliável com o sentido e o propósito próprio da Escola Pública ter um ambiente escolar em que o medo de adoecer ou morrer esteja presente. Medo não combina com o espaço escolar! Não vamos aceitar políticas de corte de direitos e nem políticas de morte!

Nota Política do Núcleo de Educação do PSOL Feira
Feira de Santana, 22 de julho de 2021

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