Flexibilizando a defesa da vida: o (não)enfrentamento da pandemia pela prefeitura de Feira

Primeiro as autoescolas, depois cursos profissionalizantes e de idiomas, agora restaurantes, lanchonetes, e bares que servem refeições. Logo mais serão as escolas. Aos poucos o prefeito Colbert vai consumando o fim do isolamento social em Feira de Santana, boicotando aquela que é a única forma efetiva de manter a população segura diante de uma doença para a qual ainda não existem remédios ou vacinas. 

Desde a chegada da pandemia ao município, a prefeitura não tem se mostrado capaz de apresentar e implantar um plano eficiente de enfrentamento à crise. Um necessário auxílio financeiro às trabalhadoras e trabalhadores informais, bem como à população de baixa renda, para que esta pudesse se manter em casa em segurança, não foi sequer cogitado. A política de distribuição de cestas básicas ou o equivalente em dinheiro para os alunos da rede pública municipal foi um fiasco, e após meses de espera por parte dos estudantes e suas famílias, pode-se dizer, definitivamente, que não funciona. Não foi adotada nenhuma política de testagem massiva da população, e até mesmo a divulgação dos dados é precária. 

O povo feirense encontra-se, assim, abandonado à própria sorte, e tenta se virar para sobreviver. Quem não pode deixar de trabalhar se expõe ao risco de adoecimento, uma vez que a taxa de contaminação segue sem controle. Quem pode se sente enganado, pois há meses abdica da vida social sem vislumbrar um final para a crise.

Nesse contexto é importante lembrar que quem prolonga a crise é a inação dos governantes. Caso medidas sérias para garantia do isolamento social efetivo houvessem sido implementadas desde o começo, agora estaríamos em outro patamar de segurança para cogitar a retomada das atividades, e vidas teriam sido preservadas. 

É a irresponsabilidade do governo municipal, assim como dos governos estadual e nacional, que prolonga indefinidamente uma situação arriscada e desgastante, que poderia estar sendo enfrentada e, principalmente, superada, de forma eficiente. 

Quem prejudica a economia não é o isolamento social, é a pandemia. Quem não enfrenta a pandemia de forma responsável, tanto para proteger a saúde das pessoas quanto para promover a retomada das atividades de forma segura, tem sim sangue nas mãos, e não pode receber outro nome senão assassino.

ASCOM

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