Política do absurdo: o crime da volta às aulas em meio à pandemia

Em coletiva de imprensa no dia 27 de julho o prefeito Colbert Martins informou que o município se preparava para a retomada das aulas, pois os prejuízos de não realizar o ano letivo seriam muito altos. É claro que são! Mas o que prefeito finge não perceber é que as aulas não estão suspensas por preguiça ou diversão. Enfrentamos uma pandemia, e a falta de ação dos governos no Brasil não colabora para que ela seja controlada.

Quem quer tanto a volta da “normalidade” não deveria ter reaberto o comércio de forma prematura, levando ao aumento do número de casos em mais de 800% em um mês. Se o ano letivo não pode ser perdido, porque um auxílio emergencial municipal não foi implantado, para que as pessoas pudessem cumprir isolamento social sem passar fome? Se o bem estar das crianças é tão importante, porque suas famílias não receberam cestas básicas para compensar a falta da alimentação escolar? Se a educação é prioridade, por que os salários das professoras e professores foi reduzido?

Essa semana o governador Rui Costa afirmou: quem vai ao shopping pode ir à escola. Ora! O que nos perguntamos é: as pessoas poderiam estar indo ao shopping? O que vemos aqui é o sofrimento da população ser ignorado, até ser útil como argumento para defender os interesses dos empresários. Sejamos honestos. Estamos em agosto. O ano letivo está perdido! De que adianta fingir dar três ou quatro meses de aula? Qual estrutura as escolas públicas, já tão precarizadas, têm para garantir distanciamento entre as crianças e as medidas sanitárias básicas? A reabertura de escolas agora serve apenas aos empresários da educação. A irresponsabilidade dos governos na condução da crise já é bem conhecida, mas mandar nossas crianças de volta para a escola nesse momento, mais que uma vergonha, é criminoso mesmo.

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